sábado, junho 17, 2006

Passado, Presente e Futuro

Encosto-me pesado numa cadeira. Deixo a nostalgia invadir-me e tomar conta das minhas seguranças, dos meus nervos.
Recolho no passado as lembranças que na alma vagueiam e, como num computador, tento agrupá-las para que não andem perdidas, errantes num mar de loucura e sanidade. Encontro tantas outras recordações que não sabia ainda existirem, tantos outros sentimentos que longe estiveram e me fazem sentir tão bem e nostálgico. É um saudosismo marcante este que me corre nas veias. É como se tudo ficasse gravado dentro de mim e uns dias, meses, anos mais tarde eu os possa lembrar, sentir.
E hoje, quando tudo estava calmo, apenas o meu coração estava negro à espera que alguma interrupção que fizesse quebrar as águas. Até que aconteceu. A morte, o Espirito do Vazio encontrou novamente a sua morada, a sua reencarnação... e nisto vem um certo amargo à boca, um certo retorcer de almas e não podemos deixar de pensar no quanto justo isto pode ser.
Quantas vezes cuspimos aos céus e não esperamos que nos caia em cima? Quantas vezes julgamos os outros na necessidade de nos livrarmos dos fardos que nos colocam em cima dos ombros? Quantas vezes alimentamos injustiças e batemos com as mãos no peito aberto à procura do sangue que tantas vezes fazem derramar dentro de nós?
Quem somos nós?! O que fazemos para merecer este caminho ou esta luz que desce dos céus? Vamos viver. Vamos procurar os nossos pesadelos e trazê-los ao presente. Vamos cair na nostalgia para podermos conservar o nosso EU, o nosso interior. Vamos SER NÓS PRÓPRIOS, sem esquecer que somos pó, nada mais do que pó...

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