sábado, fevereiro 17, 2007

Que Vulgar

Uma vida, um suspiro, uma vontade de vida, um etcetera. Não se sabe o que se não pode saber, não se alcança por desconhecer o destino. Como é vulgar esse destino sem conhecimento e com tanta dor e sensibilidade.

Um choro. Mais uma lágrima derramada por essa tua cara desesperada e mortal... Como és pequeno meu amigo. Não consegues controlar nada e nós apenas tentamos passar-te a idéia de controle e segurança impossíveis e dubias.

Que barbaridade, não achas? Que vulgar, que vulgar...

Tens todo o Mundo a teus pés e o Mundo não te dá vontade para viveres, para continuares essa tua vida linda e sensível.

Quero ser tudo aquilo que não tens. Vou ser tudo aquilo que necessitas quando não tiveres mais ninguém para te abraçar. Sou teu amigo, lembraste?

Estou contigo até ao fim, nem que para isso tenha de ir ao fim...

Mas que vulgar, que vulgar!!

O teu choro, o teu sorriso é tudo para mim. Se não posso ajudar-te a viver, posso ajudar-te a morrer.

Que vulgar, que vulgar...

29 de Março de 2001

Escrevi este texto em 2001 ao assistir ao sofrimento de uma pessoa que se tornou um grande amigo.

Hoje, quis partilhar aqui este momento, não para o minimizar, nem ridicularizar, antes pelo contrário. Quero partilhá-lo para relembrar a sua coragem, a sua boa disposição, o seu sorriso e mostrar a todos o quanto podemos ser importantes em todas as ocasiões da vida, mesmo quando estamos em sofrimento num quarto de Hospital.

Hoje o Gonçalo é um Homem, livre e de consciência viva e alegre!